
Mor Gabriel.
A visita ao mosteiro foi guiada por um miúdo que no final se recusou a aceitar a nossa gorjeta. Foi então que começámos a perceber o espírito desta região da Turquia, onde a simpatia é completamente gratuita. Isto fez-me sentir até um bocado triste, porque graças à minha mente formatada questionava sempre se as devia aceitar a ajuda que as pessoas prestavam, pensando que havia um fundo interesseiro por traz.

Exemplo do alfabeto curdo (por cima da cabeça do Gastão).
À volta fizemos a caminhada de volta até à paragem do dolmus e esticámos o pulgar com esperança que o uma alma caridosa nos apanhasse antes do transporte publico. Mais uma vez a generosidade desta terra se revelou e não demorou muito até um carro com três rapazes lá dentro parar para nos dar boleia de volta ao centro de Midyat.
Vista a cidade apanhámos a autocarro para Hasankeyif, famosa pelas ruínas de uma ponte medieval. Esfomeados almoçámos na primeira loncanta (tasca) que encontrámos onde acabámos por também deixar as malas o resto da tarde.

Ponte medieval.
Havia muitas crianças que chegavam ao pé de nós e começavam a desbobinar a história das ruínas da cidade com ar de cientistas peritos. Quando percebiam que eu e o Gastão não falávamos um palavra de turco ficavam desoladas.
Apesar do tempo estar miserável as vistas eram espectaculares.

Antiga torre.
No final do dia tentámos apanhámos um autocarro para Batman (sim, a terra chama-se assim) onde depois apanharíamos outra ligação para Sanliurnfa. Apesar de não estar cheio, não conseguíamos lugar porque alguns passageiros se recusavam a sair do meio de dois assentos, insistindo em ocupar os dois! Amuámos e saímos depois do autocarro ter andado apenas uns 300metros. “Apanhamos o próximo!” pensámos.
Mais uma vez fomos ajudados pela generosidade Curda: quando o Gastão parou junto de um grupo de homens a perguntar quando sairia o próximo autocarro eles responderam: “Nós vamos agora para Batman e podemos levar-vos!”. Lá fomos muito juntinhos num pequeno carro, com a malta toda a esfumassar-se, muito contente por nos levar.
Deixaram-nos no terminal onde apanhámos logo o autocarro para Sanliurfa. Já era bem tarde quando chegámos e estávamos completamente perdidos. Não percebíamos em qual dos terminais estávamos e acabámos por seguir um rapaz que nos disse que levava até ao hostel. Com nossa mente ocidental sempre a perguntar “Para onde é que este tipo nos está a levar!” ao fim de quase meia hora de caminhada estávamos realmente à frente do hostel indicado no guia e mais uma vez nos sentimo-nos mal pela nossa falta de confiança. Infelizmente não é assim tão fácil acreditar nesta simpatia genuína.
Quando cheguei à recepção nem queria acreditar: lá estavam a Clara e o David abancados a beber uma cerveja! Foi uma grande festa reencontrá-los. Como estávamos a fazer mais ou menos a mesma viagem mas em sentidos opostos, trocámos muitos conselhos e falámos sobre as aventuras daqueles dois dias que já tinham tanto para contar.








