sexta-feira, 29 de abril de 2011

Midyat e Hasankeyif

Rumámos a Midyat bem cedo para aproveitar o dia. Quando lá chegámos sentámo-nos num café cheio de velhos de gorro com pompom e calças à Aladino a jogar gamão com uma mão e a brincar com um tesbih (uma espécie de terço islâmico) com a outra. Estávamos sem saber bem o que fazer porque os mosteiros que queríamos visitar eram quase impossíveis de alcançar de transportes públicos e um táxi estava fora do orçamento. Decidimos tentar chegar ao mosteiro Mor Gabriel para o qual teríamos de apanhar um dolmus e depois andar 3km a pé. Por sorte ofereceram-nos logo boleia por isso lá chegar não foi difícil.


Mor Gabriel.

A visita ao mosteiro foi guiada por um miúdo que no final se recusou a aceitar a nossa gorjeta. Foi então que começámos a perceber o espírito desta região da Turquia, onde a simpatia é completamente gratuita. Isto fez-me sentir até um bocado triste, porque graças à minha mente formatada questionava sempre se as devia aceitar a ajuda que as pessoas prestavam, pensando que havia um fundo interesseiro por traz.


Exemplo do alfabeto curdo (por cima da cabeça do Gastão).

À volta fizemos a caminhada de volta até à paragem do dolmus e esticámos o pulgar com esperança que o uma alma caridosa nos apanhasse antes do transporte publico. Mais uma vez a generosidade desta terra se revelou e não demorou muito até um carro com três rapazes lá dentro parar para nos dar boleia de volta ao centro de Midyat.

Vista a cidade apanhámos a autocarro para Hasankeyif, famosa pelas ruínas de uma ponte medieval. Esfomeados almoçámos na primeira loncanta (tasca) que encontrámos onde acabámos por também deixar as malas o resto da tarde.


Ponte medieval.

Havia muitas crianças que chegavam ao pé de nós e começavam a desbobinar a história das ruínas da cidade com ar de cientistas peritos. Quando percebiam que eu e o Gastão não falávamos um palavra de turco ficavam desoladas.
Apesar do tempo estar miserável as vistas eram espectaculares.


Antiga torre.

No final do dia tentámos apanhámos um autocarro para Batman (sim, a terra chama-se assim) onde depois apanharíamos outra ligação para Sanliurnfa. Apesar de não estar cheio, não conseguíamos lugar porque alguns passageiros se recusavam a sair do meio de dois assentos, insistindo em ocupar os dois! Amuámos e saímos depois do autocarro ter andado apenas uns 300metros. “Apanhamos o próximo!” pensámos.

Mais uma vez fomos ajudados pela generosidade Curda: quando o Gastão parou junto de um grupo de homens a perguntar quando sairia o próximo autocarro eles responderam: “Nós vamos agora para Batman e podemos levar-vos!”. Lá fomos muito juntinhos num pequeno carro, com a malta toda a esfumassar-se, muito contente por nos levar.

Deixaram-nos no terminal onde apanhámos logo o autocarro para Sanliurfa. Já era bem tarde quando chegámos e estávamos completamente perdidos. Não percebíamos em qual dos terminais estávamos e acabámos por seguir um rapaz que nos disse que levava até ao hostel. Com nossa mente ocidental sempre a perguntar “Para onde é que este tipo nos está a levar!” ao fim de quase meia hora de caminhada estávamos realmente à frente do hostel indicado no guia e mais uma vez nos sentimo-nos mal pela nossa falta de confiança. Infelizmente não é assim tão fácil acreditar nesta simpatia genuína.

Quando cheguei à recepção nem queria acreditar: lá estavam a Clara e o David abancados a beber uma cerveja! Foi uma grande festa reencontrá-los. Como estávamos a fazer mais ou menos a mesma viagem mas em sentidos opostos, trocámos muitos conselhos e falámos sobre as aventuras daqueles dois dias que já tinham tanto para contar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Diyarbakır e Mardin

Depois de um voo de uma hora e meia e um autocarro chegámos ao centro de Diyarbakır onde a nossa primeira preocupação foi arranjar um lugar para guardar as malas, uma vez que não tínhamos planos de passar a noite a ali. Acabámos por deixar num hotel sem ter que pagar nada por isso.

Diyarbakır assistiu a grande parte dos conflitos entre os Kurdos e o exército Turco. É a maior cidade da região e um importante centro religioso para os Kurdos.


Vista do cimo das muralhas de Diyarbakir.
Vista das muralhas

Percorremos as muralhas que ofereciam uma vista sob o Sudeste da Turquia, uma mistura de casas pobres, planícies e lenços às cores usados por quase todas as mulheres. Depois desta contextualização fomos passear pelas ruas da cidade e acabámos na confusão do mercado local. Bebemos um chá e comprámos figos secos, que oferecemos ao recepcionista quando fomos buscar as malas.


Ruas de Diyarnakir.
Ruas de Diyarbakır

Metemo-nos no autocarro rumo a Mardin, uma cidade linda, situada em cima de uma montanha onde as casas são da mesma cor que a areia.


Vista de Mardin.
Mardin

Ainda tivemos que andar um bocado até encontrarmos alojamento onde regateámos o preço de um quarto com janelas pelo mesmo que um sem.


Vista de Mardin

Tivemos a tarde toda a explorar a cidade e acabámos a tomar café numa esplanada com vista sobre as planícies. Jantámos Gozlemes (crepes recheados) num restaurante muito pequenino e tascoso e voltámos à esplanada onde o Gastão teve uma longa conversa sobre futebol com o empregado apesar dele não falar inglês, nem o Gastão falar turco...

Fim da Primeira Metade

Depois de apresentações e exames finais a primeira metade do semestre acabou e chegou o Gastão, que veio cá passar 10 dias e conhecer comigo a zona este e centro da Turquia.

Na sexta-feira ainda demos um passeio até à mesquita Süleymaniye, jogar um gamão e fumar uma narguilé antes de batermos com o nariz na porta do aeroporto. Como o nosso avião era às seis da manhã achámos que a melhor alternativa seria passarmos lá a noite mas quando chegámos, por volta da uma, descobrimos que só abria às 4:30h!


Chá de Banana e narguilé de Capoccino: assim começámos a nossa viagem!

Um pequeno tesouro



É sempre bom encontrarmos estes exemplares de espécies exóticas debaixo do tapete do nosso quarto!

Princes' Islands

Este fim de semana foi a vez de conhecermos Princes' Islands. Apanhámos o barco em Uskudar que vinha cheio de gente com sede de apanhar Sol. Lembrei-me logo da esteria dos primeiros fins-de-semana de praia que entopem a ponte até à Costa da Caparica. Aquele barco parecia mesmo um navio de refugiados!


Casas típicas da ilha.

A viagem durou uma hora e meia até à ilha Büyükada. Como estávamos com fome, demos prioridade ao pic-nic. Arranjámos um bocadinho de relva, estendemos a toalha e almoçámos na companhia de gaivotas e gatos esfomeados. Sabíamos que a atracção principal da ilha era um mosteiro no topo da colina e que se podia lá chegar de coche mas depois de descobrirmos o preço deste luxo percebemos que alugar bicicletas seria mais ajustado ao nosso orçamento. A Catlin, uma Americana, e a Johanna, alemã, ainda se aventuraram num tandem mas rapidamente desistiram da ideia e trocaram-no por bicicletas individuais.


Pic-Nic

Parámos várias vezes para tirar fotografias e apreciar a paisagem. Chegámos ao ponto mais alto da ilha, onde estava o mosteiro com vista sobre uma das costas de Istambul. Uma das árvores lá plantada estava cheia de bocados de sacos de plástico atados aos ramos que representavam “desejos” ou “orações” de turistas peregrinos.

Fizemos contas à vida e apercebemo-nos que estava na hora de ir embora. Pedalámos ilha abaixo e apanhámos o barco por um triz.


Por do Sol no barco de volta.

Desta vez fomos para Karaköy, onde o Pedro se juntou ao resto do grupo. Metemo-nos noutro barco para Kadıköy, rumo a um dos melhores restaurantes onde já comi, o Ciya.


Meze

Depois do jantar, eu, o Pedro e a Clara fomos à procura do Thomas e dos seus amigos austríacos que estavam de visita, por Taksim. Demos com um grupo de rapazes de calças de cabedal tradicionais, penteados malucos e t-shirts alegóricas à cerveja a cantar no meio da rua.

Acabámos com este belo grupo no nosso bar de sempre: o Monte Real.