sexta-feira, 27 de maio de 2011

Urgup e Mustafapasa

Começámos o dia com uma caminhada no Vale Branco. Depois visitámos Mustafapasa, onde almoçámos, e depois Urgup.


Mais uma caminhada.

No final do dia apanhámos o autocarro nocturno de volta para Istambul. Este tipo de viagem é já uma experiência para os meus pais mas ainda se tornou mais extrema quando vimos casal que iria viajar 11 horas ao nosso lado: um homem e uma mulher obesos que nunca devem ter visto desodorizantes nas suas vidas, com uma criancinha que estenderam a dormir debaixo dos bancos. O principal problema foi o cheiro, a criança não se ouviu durante toda a viagem (nem se viu porque não saiu da sua “cama”) e o casal até era bem educado, nós até fizemos muito mais barulho durante a viagem. Mas o cheiro...fatal...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vale das Rosas e Keyseri

De manhã fizemos o passeio do Vale das Rosas e agarrámos no carro para ir até Kayseri. Quando disse que tinha estado com o Gastão numa loja de tapetes não muito cara o meu pai ficou cheio de vontade de ir ver a cidade.


Vale das Rosas.

Depois do almoço fomos então à loja dizer e “olá”, literalmente enfiarmo-nos na boca do lobo. Vieram os chás para a mesa e o vendedor começou a contar toda a história dos tapetes. O meu pai garantiu que não ia comprar nada mas mesmo assim a conversa continuou animadamente. Visitar uma loja de tapetes na Turquia é talvez a maior experiência de compra que uma pessoa pode ter. A habilidade com que os vendedores negoceiam é uma arte admirável. Acredito mesmo na sua capacidade de enfiar um barrete ao mais respeitado professor de negociação de um universidade da Ivy League.


A negociar tapetes.

Sem sabermos como já estavam a voar tapetes, uns atrás dos outros, que o vendedor desenrolava, estendia e girava a uma velocidade que fazia tudo parecer um espectáculo de malabarismo. Depois começou a “cantar” preços e como a musica agradou ao meu pai, saiu dali com mais um tapete lá para casa debaixo do braço feliz como uma criança a sair da loja de guloseimas.
Visitámos o resto do mercado e eu fui dando a mesma explicação sobre a sua importância na rota da ceda que o vendedor de tapetes me tinha dado a mim e ao Gastão.

Tomámos um café no jardim e voltámos para Goreme.

Derinkuyu e Ihlara

No segundo dia resolvemos alugar um carro para ir até à cidade subterrânea de Derinkuyu e ao vale de Ihlara (que eu não consegui ver com o Gastão).

Nas cidade subterranânea, a 85 metros de profundidade, tive mais um dos meus encontros fantásticos, desta vez com a minha amiga Bia que estava de viagem pela Turquia.


Mãe em Derinkuyu.

Daí seguimos para o vale. Estacionamos o carro numa das entradas e descemos a pique pelo desfiladeiro. Fizemos um passeio muito bonito, ao longo do rio e visitámos as diferentes capelas que ali foram construídas meias escondidas nas rochas.
Parámos para almoçar numa cabana que servia chá e Gozleme e fizémo-nos à estrada de volta para Goreme.




Vale de Ihlara.

No caminho vimos uma indicação para mais uma ruína de uma igreja e resolvemos parar para visitar. Como estava a chover e já era tarde não era de admirar que fossemos as únicas pessoas ali.

Andávamos meios perdidos quando apareceu um local a dizer que a igreja já estava fechada mas insistiu para irmos atrás dele. Como não falava nada de inglês mal percebíamos o que é que ele queria mas lá o fomos seguindo por entre as rochas.

Começámos literalmente a escalar por um caminho demasiado alternativo que se foi revelando cada vez mais difícil. Em certas partes quase que nem havia sitio para por os pés e estávamos todos a ver quando é que um de nós caía dali abaixo.

Mas o nosso “guia” não se ralava nem um bocadinho. Estava-se a divertir imenso, já sabia os nossos nomes e iam encorajando-nos com frases como “Go Papa Zé!”. Àquela altura, mesmo que quiséssemos voltar para traz não conseguimos sem as indicações dele por isso estávamos mesmo sem remédio. Depois de quase uma hora nesta brincadeira de “homens aranha” percebemos finalmente o que se estava a passar: tínhamos contornado a igreja e estávamos agora a entrar pelo cimo da ruína que obviamente não tinha portão porque só loucos é que tentariam usar essa entrada. A felicidade do nosso amigo era enorme e valeu a pena a aventura pelas vistas. Agora ainda faltava descer... esta operação foi mais difícil e em algumas partes ele levou-nos quase ao colo!

De volta a terra firme o Mevlut (també já sabíamos o nome dele) convidou-nos para tomar chá em sua casa. Para mim não era nada de novo e os meus pais depois de um baptismo de hostel já estavam por tudo. Conhecemos a mãe e as irmãs, que rapidamente puseram a nossa roupa a secar em cima do fogão a lenha, e bebemos chá enquanto ele nos mostrava uma serie de fotografias suas no computador. A comunicação era obviamente muito limitada mas conseguimos perceber que trabalhava no verão no sul de Istambul. Trocamos emails e despedimo-nos. O meus pais perguntaram-me se devíamos oferecer uma gorjeta e eu disse logo que ele não ia aceitar e que até era capaz de o ofender. Oferecemos então umas bolachas que tínhamos no carro e mesmo assim tivemos que insistir porque o Mevlut inicialmente recusou.


A tomar chá em casa do Mevlut (que está no meio).

Chegámos a Goreme tarde e acabámos a jantar num restaurante onde já tinha estado com o Gastão. Aí conhecemos uma brasileira acompanhada por um Turco que meteu conversa connosco. Quando a minha mãe lhe perguntou onde é que eles se tinham conhecido ela responde orgulhosamente: “Nah internetxi!”

terça-feira, 24 de maio de 2011

Chegámos à Capadócia sem grandes peripécias e fomos directos ao Museu ao Ar Livre.

Depois almoçámos gozleme (crepes alaturca) num restaurante muito giro onde o dono falava fluentemente pelo menos 5 linguas e o empregado, que mais parecia um actor de stand up comedy, fazia os clientes chorar de tanto rir. Os dois juntos eram a animação total. Ao nosso lado vieram sentar-se um casal de americanos com quem ainda estivemos à conversa durante um tempo. Ele artista e ela professora tinham vivido quase um ano na Irlanda e estiveram a dar-me algumas dicas sobre lugares para visitar no pais que será a minha próxima “casa”.


Vale das Pombas.

À tarde fizemos o passeio de ida e volta pelo Vale das Pombas e jantámos no Dibek as famosas kebabs de pote: os ingredientes são cozinhados durante três horas dentro de potes de barro que depois se têm de partir, tipo porquinho mealheiro. O resultado é um guisado óptimo com um ligeiro sabor a barro!


Jantar de pernas cruzadas.

Depois do jantar fomos até à pensão Ufuk, onde eu tinha ficado com o Gastão, para dizer olá ao Orhan e oferecer umas queijadas. Bebemos chá e quando o meu pai ia para pagar no final ele disse: “Não existe dinheiro para pagar esses chás!”.

sábado, 21 de maio de 2011

Pais e Madalena em Istanbul

Depois do Gastão foi a vez da visita dos meus pais e da minha maninha, que não começou da melhor maneira.

Estava tudo planeado para apanhar os meus pais no aeroporto na noite de 6a feira e seguirmos de madrugada noutro avião para a Capadócia. Tinha eu acabado de chegar a Taksim, de malas feitas para ir directa de viagem depois de beber uma cerveja com a Helena, que estava de passagem por Istanbul, quando recebo uma mensagem da minha mãe a dizer que tinham perdido um dos voos de ligação e só chegariam no dia seguinte!

O sitio com Internet mais à mão foi precisamente o bar onde estava e por isso enquanto os meus amigos bebiam cerveja e viravam shots de tequila à minha volta, eu tentava remarcar hotéis, aviões e shutles.

Com os hotéis todos cheios em Istambul, ou a pedir preços estapafúrdios, acabei por marcar num hostel um quarto privado com quatro camas (ou seja dois beliches) na esperança que os meus pais não ficassem traumatizados com a experiência. Por coincidência este era o hostel onde um rapaz que me tinha dado indicações no primeiro dia e com quem também já me tinha cruzado no barco para Princess Islands trabalhava. Afinal esta cidade não é assim tão grande...


No barco para o lado asiático.

As reacções ao hostel foram bem melhores do que estava à espera. Depois de instalados e almoçados fomos até ao lado asiático onde demos um passeio pelo mercado e jantámos no Ciya.


Mercado de Kadikoy.

Na volta para o hostel conhecemos um taxista com o qual negociamos a ida para a aeroporto às 5:30 da manhã do dia seguinte.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em Istambul com o Gastão


Ainda em Sariyer, antes de começar o dia de turismo.

Antes de voltar para Lisboa o Gastão ainda passou dois dias em Istambul nos quais conseguimos ver as principais atracções. Eu aproveitei para visitar alguns dos monumentos que ainda não tinha tido a oportunidade de ver, como a Mesquita Azul, e revisitar outros com mais calma, como por exemplo o Palácio Topkapi, onde da primeira vez não tinha entrado em metade das salas.


A primeira paragem na Aya Sofya.


Estes chupas são feitos à mão por muitos vendedores ambulantes no centro de Istanbul.


Mesquita Azul.


Topkapi.


Kokoreç: entestinos enrolados num espeto...


Mercado das Especiarias.


Vista da ponte Galata.

Na última noite tínhamos comprámos algumas comidas típicas turcas para o jantar em minha casa que acabou por ser arruinado pelo depósito da água quente que nos ia afogando no apartamento. Aquilo já estava a pingar a alguns dias, mas a situação estava controlada pelo balde da esfregona que o Pedro estrategicamente tinha colocado debaixo do depósito e que nós despejávamos de vez em quando. Naquela noite as pingas passaram a água a correr e fui dar com parte da casa alagada!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Segundo dia na Capadócia


Tivemos a sorte de apanhar as amendoeiras em flor.

Decidimos ir a pé até Urgup, passando pelo Vale Rosa e pelo Vale Encarnado. Como estes nomes indicam, à medida que nos vamos afastando de Goreme, as rochas passam de amarelo para laranja e depois para cor-de-rosa. A seguir a estes dois vales só havia caminho marcado para voltar para Goreme, por isso chegar a Urgup foi um pouco confuso e levantou algumas discussões.



Vale Rosa e Encarnado.

Mas ao final de 5 horas de caminhada avistámos a cidade. Esfomeados aterrámos num restaurante de kababs de pote, recomendado em vários guias. A escolha não podia ter sido mais acertada! Comemos tudo o que o dono do restaurante nos pôs á frente e com o estômago a explodir fomos até Mustafapasa, uma vila ali ao lado, conhecida por ter um grande número de antigas casas gregas bem conservadas.


A comida era cozinhada dentro destes potes.

O ritmo calmo que ali se vivia fez lembrar um bocadinho o espírito de Óbidos, com meia dúzia de ruas que parecem ter parado no tempo, as esplanadas cheias de estrangeiros e várias lojas de souvenirs.


Igreja em Mustafasa.

Voltamos no final do dia para Goreme onde ainda relaxámos um bocadinho na pensão antes de nos metermos no autocarro de 11horas de volta para Istambul.

Primeiro dia na Capadócia

De manhã pude apreciar os balões de ar quente que passeavam mesmo em frente à nossa pensão e faziam a paisagem do centro da Capadócia parecer ainda mais surreal. As formações rochosas desta região parecem formigueiros gigantes que serviram de casa e templo aos cristãos que ali se escondiam para escaparem às perseguições.

Conseguimos chegar ao Museu ao Ar Livre antes da maior parte das carrinhas de excursões encherem o complexo de turistas. Este museu é basicamente um conjunto de casas e igrejas, onde se podem ver frescos muito bem conservados.


Uma das igrejas do Museu.

Fizemos depois a caminha do Vale dos Pombos, que liga Goreme até Ushisar, subindo e descendo pelas rochas em forma de chaminé. Tentámos inventar caminhos alternativos que nos levaram a tartarugas que passeavam por zonas mais calmas, uma cascata e também becos sem saída.



Vale dos Pombos.

Em Ushisar apanhámos um autocarro para Nevsehir onde conhecemos o Max, um americano viajante de apenas 18 anos, que andava meio perdido à procura do mesmo autocarro que nós para a cidade subterrânea de Derinkuyu.

Aqui chegaram a viver 10 mil pessoas e respectivos animais nos 11 andares que atingem uma profundidade de 85 metros. O que nos impressionou foram as mesmo estas dimensões. Os corredores muito estreitos onde não era possível andar de costas esticadas, ligavam depois salas enormes, cheias de nichos e câmaras mais pequenas. A sensação de ali estar não deve ser muito diferente de uma formiga nos seus labirintos.


Uma das galerias em Derinkuyu.

Chegámos a Goreme já de noite, comprámos umas cervejas e jantámos umas pides (muito parecido com pizza).

Kayseri, Urgup e finalmente Goreme

Chegámos a Adana de madrugada, comprámos os bilhetes para o primeiro autocarro para Kayseri que saía daí a 3horas. Abancámos juntamente com outros passageiros no escritório da agencia de viagens que não tinha mais de 10 metros quadrados onde adormecemos depois do chá que nos ofereceram. Ainda a dormir embarcarmos no autocarro para Kayseri onde fomos acordar a meio do dia.

Como o que estava escrito no guia nos tinha despertado a curiosidade, resolvemos explorar a cidade. A zona histórica é composta pelas antigas muralhas, a mesquita central e um bazaar cuja parte mais interessante é o mercado de algodão. Aqui fomos “apanhados” por um senhor muito simpático que nos explicou toda a história do bazaar, como tinha sido um importante posto na rota da seda e como funcionava toda a infra-estrutura na altura: onde ficavam os camelos, onde ficavam as mercadorias e onde dormiam os comerciantes. No final da tour revelou-nos que “por acaso” tinha ali uma loja de tapetes e convidou-nos para o já esperado chá. Muito humildemente aceitámos garantindo que não tínhamos dinheiro para comprar nenhum tapete e claro que ele ainda fez algumas tentativas de nos vender uns kilims. No final fiquei com o cartão da loja (é interessante como aqui até o posto mais tascoso de kebabs tem cartão de visita) e disse que talvez voltasse com o meu pai.


Loja de tapetes onde bebemos chá.

À saída do bazaar não resistimos a comprar um dos mil tipos de queijo que eram vendidos nas últimas lojas. Estávamos esfomeados e perguntámos ao vendedor onde é que tinha comprado os pães com óptimo aspecto que ele e toda a gente ali do bazaar estava a comer. Em vez de nos responder à pergunta partilhou o que tinha connosco! Infelizmente a gentileza não foi suficiente para matar a nossa fome e depois de um abastecimento no supermercado fizemos um piquenique no jardim.


Urgup.

Apanhámos um mini autocarro para Urgup, uma cidade bem simpática. Apesar de estar cheia de lojas e restaurantes para o turista. Como ali não havia alojamento para o nosso orçamento tínhamos de ir ainda até Goreme, desta vez a pé porque o ultimo autocarro tinha partido às 6 da tarde e eram 7:30 quando acabámos de explorar a cidade. Como eram 5km de caminho pensámos que demoraríamos só uma hora a chegar. Fizemo-nos à estrada de mochilas às costas cheios de confiança!


Formações rochosas típicas da Capadócia.

Começámos a estranhar não ver indicação nenhuma para Goreme e ainda perguntámos a um senhor que nos disse, segundo o que nós percebemos, que devíamos continuar em frente. Ao fim de uma hora e meia de caminhada e sem pistas voltámos a perguntar se estávamos a ir na direcção correcta numa bomba de gasolina: “Têm de voltar para traz cerca de 2km e virar à esquerda!”

“O QUÊ?” Nem queríamos acreditar! Eu é que não ia voltar aqueles 2km para traz a pé. Perguntei à carrinha que estava a abastecer se iria seguir naquel sentido e cravei boleia depois da resposta afirmativa.

Entrámos em Goreme já depois das 10 da noite e por sorte conseguimos um quarto à segunda tentativa. Orhan, o dono, convidou-nos para um café e deu-nos algumas dicas para os dias seguintes.

Nemrut Dağı

Um das coisas que mais queria visitar na Turquia era Nemrut Dağı, um conjunto de estátuas mitológicas construídas no cimo de uma montanha. Contudo nunca esperei que lá chegar se tornasse numa jornada tão complicada!

A grande maioria dos turistas visita a complexo através de excursões organizadas que na nossa opinião custavam uma fortuna. O nosso orgulho e forretice falaram mais alto como sempre e tínhamos a certeza que lá conseguiríamos chegar por nossa conta.

Metemo-nos num dolmus até Adyiaman e daí apanhámos outro até Kahta. Fomos acordados por um pintarolas de casaco de cabedal e cabelo cheio de gel, que nos disse que tínhamos de descer ali e ainda meios a dormir lá saímos do autocarro. Quando ele começou a dizer que tinha uma agencia de excursões vimos logo o filme todo e percebemos devíamos ter ficado no dolmus mais uma paragem para sairmos só no terminal. Daí seria só mais um Dolmus até Karatut, 5km abaixo de Nemrut!

Mas já que tínhamos caído na boca do lobo, bebemos um chá enquanto ouvíamos a lengalenga das excursões e no final fomos embora sem comprar nada.

Tentámos apanhar o seguinte dolmus para Karatut mas infelizmente só iria partir às 2h, o que não nos dava tempo suficiente para subir e descer a montanha antes de anoitecer. Restava-nos a última solução: boleia!

Apesar de parecer uma tarefa simples, apenas esticar o polegar e esperar, torna-se bem complicada quando não temos nem um mapa, nem uma bússola, nem a mínima ideia para que direcção fica o nosso destino. Depois de muitas voltas a tentar encontrar a estrada onde devíamos ficar de plantão fomos salvos pelo jovem Murat, cujo o objectivo do dia passou a ser ajudar-nos naquela tarefa. Apesar de pararem alguns carros, ninguém ia para Karatut e acabámos por desistir e voltar ao plano do dolmus. Foi então que apareceu o tipo da agencia outra vez, já a fazer mega desconto e acabámos por lhe comprar a viagem.


Vista sobre uma aldeia.

Mal arrancámos, juntamente com um casal de franceses e um americano, percebemos que aquela tinha sido a melhor escolha porque começou a chover torrencialmente, ou seja, nunca conseguiríamos fazer a caminhada desde Karatut.


Ruínas.

No caminho parámos para ver uma ponte romana e outras ruínas mas não deu para muito mais do que sair e tirar algumas fotografias. Quando chagámos finalmente a Nemrut a chuva transformou-se em neve, que tornava as impressionantes cabeças ainda mais misteriosas. A vista também era fantástica mas aquelas condições climatéricas não nos deixaram aprecia-la durante muito tempo.


Famosas cabeças.

De volta a Kahta apanhámos um dolmus para Adiyaman onde descobrimos que seria mais complicado do que pensávamos chegar até ao nosso próximo destino: Capadócia! Para viajarmos de noite tínhamos de fazer um desvio até Adana, no sul da Turquia, e daí apanhar outro autocarro para Keyseri. Ainda tivemos tempo para jantar um Kabab no restaurante do Mehmet, que me ofereceu uma taça de iogurte caseiro, talvez o melhor que comi até hoje. Fartámo-nos de conversar, apesar de não termos nenhuma língua em comum. Até com o surdo mudo que nos veio servir os chás no final da refeição conseguimos comunicar!

Harran e Sanliurfa

De manhã visitámos a aldeia de Harran. O motorista do autocarro muito simpático mostrou-se logo interessado em conversar connosco e a meio da viagem fez uma paragem e, do nada, apareceu um rapaz do lado de fora com um tabuleiro com chás para nós os três! Na Turquia já me ofereceram muitos chás mas nunca num autocarro!


O meu chá no autocarro, ao lado da caixa das moedas dos bilhetes.

Chegados à aldeia e fomos atacados por um “guia turístico”. Quando eu lhe disse que não íamos precisar dos seus “serviços” começou a disparatar, a dizer que eu era parva e mal criada...enfim, era bom de mais conhecer só pessoas genuínas.
Demos um passeio pelas ruínas, visitámos as casas de lama e voltámos para Sanliurfa.


Ruínas em Harran.

Almoçámos numa esplanada onde eu me consegui esquecer do troco, que era duas vezes o preço do almoço, demasiado para ser gorjeta. Mas claro, dada a honestidade desta gente, quando lá voltei os empregados lembraram-se de nós e devolveram tudo.

Durante o passeio pela cidade não resisti comprar umas frutas verdes, do tamanho de cerejas que via toda a gente comer animadamente com sal. A comunicação com o velhinho vendedor muito fraca, e em vez de comprar 100 gramas, que me bastava para provar, levei com meio kilo daquelas coisas que eu nem sabia se gostava. O que vale é que até gostei.


Curdo em Sanliurfa.

A parte mais bonita da cidade é um parque onde fica um complexo de mesquitas rodeadas por lagos, e o tumulo de Abraão, que se acredita que nasceu aqui. Depois de visitarmos esta zona fomos até ao bazaar onde tomámos chá, jogámos gamão e comprámos bolos para o jantar.


Lago de Abraão.