Nas cidade subterranânea, a 85 metros de profundidade, tive mais um dos meus encontros fantásticos, desta vez com a minha amiga Bia que estava de viagem pela Turquia.

Mãe em Derinkuyu.
Daí seguimos para o vale. Estacionamos o carro numa das entradas e descemos a pique pelo desfiladeiro. Fizemos um passeio muito bonito, ao longo do rio e visitámos as diferentes capelas que ali foram construídas meias escondidas nas rochas.
Parámos para almoçar numa cabana que servia chá e Gozleme e fizémo-nos à estrada de volta para Goreme.


Vale de Ihlara.
No caminho vimos uma indicação para mais uma ruína de uma igreja e resolvemos parar para visitar. Como estava a chover e já era tarde não era de admirar que fossemos as únicas pessoas ali.
Andávamos meios perdidos quando apareceu um local a dizer que a igreja já estava fechada mas insistiu para irmos atrás dele. Como não falava nada de inglês mal percebíamos o que é que ele queria mas lá o fomos seguindo por entre as rochas.
Começámos literalmente a escalar por um caminho demasiado alternativo que se foi revelando cada vez mais difícil. Em certas partes quase que nem havia sitio para por os pés e estávamos todos a ver quando é que um de nós caía dali abaixo.
Mas o nosso “guia” não se ralava nem um bocadinho. Estava-se a divertir imenso, já sabia os nossos nomes e iam encorajando-nos com frases como “Go Papa Zé!”. Àquela altura, mesmo que quiséssemos voltar para traz não conseguimos sem as indicações dele por isso estávamos mesmo sem remédio. Depois de quase uma hora nesta brincadeira de “homens aranha” percebemos finalmente o que se estava a passar: tínhamos contornado a igreja e estávamos agora a entrar pelo cimo da ruína que obviamente não tinha portão porque só loucos é que tentariam usar essa entrada. A felicidade do nosso amigo era enorme e valeu a pena a aventura pelas vistas. Agora ainda faltava descer... esta operação foi mais difícil e em algumas partes ele levou-nos quase ao colo!
De volta a terra firme o Mevlut (també já sabíamos o nome dele) convidou-nos para tomar chá em sua casa. Para mim não era nada de novo e os meus pais depois de um baptismo de hostel já estavam por tudo. Conhecemos a mãe e as irmãs, que rapidamente puseram a nossa roupa a secar em cima do fogão a lenha, e bebemos chá enquanto ele nos mostrava uma serie de fotografias suas no computador. A comunicação era obviamente muito limitada mas conseguimos perceber que trabalhava no verão no sul de Istambul. Trocamos emails e despedimo-nos. O meus pais perguntaram-me se devíamos oferecer uma gorjeta e eu disse logo que ele não ia aceitar e que até era capaz de o ofender. Oferecemos então umas bolachas que tínhamos no carro e mesmo assim tivemos que insistir porque o Mevlut inicialmente recusou.

A tomar chá em casa do Mevlut (que está no meio).
Chegámos a Goreme tarde e acabámos a jantar num restaurante onde já tinha estado com o Gastão. Aí conhecemos uma brasileira acompanhada por um Turco que meteu conversa connosco. Quando a minha mãe lhe perguntou onde é que eles se tinham conhecido ela responde orgulhosamente: “Nah internetxi!”
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